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Archive for agosto \17\UTC 2009

Serviço

 

         Este mês não vamos falar exclusivamente do louvor no sentido musical mas sim no louvor abrangendo todos os ministérios que uma igreja possa ter.

         Talvez os ministérios mais menosprezados hoje em dia sejam os que envolvem algum tipo de serviço. São ministérios importantes tanto como qualquer outro, porém, aos olhos humanos, inferiores. E esse é um grande erro de nossa parte. Quer um exemplo? Você já viu um pastor contratar músicos para tocar no culto de domingo à noite? Ou já viu um diácono ganhar salário? Ou quem sabe uma professora de escola dominical decidir ministrar aulas no domingo pela manhã pois a igreja paga mais que o município ou governo estadual? É claro que não. Porque esses ministérios são aqueles que nos enchem de alegria por podermos participar. São ministérios que estão, podemos dizer, nos “holofotes da igreja”. São os ministérios que aparecem durante um culto, são chamados à frente para dar avisos ou fazem apresentações, etc. É errado participar de algum deles? Mas é claro que não. Eu mesmo sou músico e fico muito feliz em poder ajudar na obra de Deus.

         Por outro lado, você já viu irmãs limparem a igreja no amor? Ou irmãos que dominam o ofício da construção civil fazerem mutirões para erguer uma parede ou um templo? É muito mais difícil, não é verdade? Geralmente os pastores precisam contratar uma ou duas pessoas para limpar a igreja e quando se fala em obra o pastor tem que cair na mão de pedreiros que muitas vezes os enganam mediante a ingenuidade e mansidão existente nos nossos líderes.

         Há alguma diferença entre todos estes ministérios? Como quantificar e comparar o ministério do músico que toca todos os domingos com o do irmão que fica do lado de fora da igreja, muitas vezes no frio e na chuva, cuidando dos carros? Te digo que pra mim o segundo ministério pode ter mais valor do que o primeiro, uma vez que o irmão abdica de passar momentos de louvor e adoração para cuidar dos carros de pessoas que, ao sair, muitas vezes não são capazes de desejar “a paz do Senhor” ou simplesmente dizer um “obrigado”.

         O fato de existirem hoje valores distintos para cada ministério na igreja nada mais se deve ao orgulho humano que consegue definir o que é mais honroso de se fazer, ou o que tem mais valor para Deus ou até mesmo o que é mais digno. Se você pensa dessa forma, o mais correto é que não faças NADA para Deus. Isso mesmo. Vá à igreja domingo à noite, sente-se confortavelmente, obedeça tudo o que o ministrante diz: “levante”, “bata palmas”, “cumprimente seu irmão”, “erga suas mãos e louve ao Senhor”, na hora em que for chamado a ofertar você deve contribuir, mas não dê a maior nota que sua carteira tem no momento pois poderá lhe fazer falta. Contudo, não esqueça de ir à frente sorridente e satisfeito por ter contribuído com a obra de Deus (como se Ele precisasse de sua esmola). Quando o culto acabar, cumprimente duas ou três pessoas, dirija-se ao seu carro e vá logo pra casa para não perder o final do Fantástico.

         Para você são palavras duras? Eu acho que não. Isso só nos exemplifica a mediocridade na qual muitos irmãos pertencentes ao corpo de Cristo vivem atualmente. Para a grande maioria a Igreja ainda é um ponto de encontro, onde se pode colocar as fofocas em dia, observar que a irmã mais humilde repetiu o mesmo vestido três vezes somente neste mês, arrumar uma namorada e também conseguir alguns favores dos irmãos mais prestativos. Aí você me diz: “mais eu não sou assim”. AMÉM! Mas muitas vezes, mesmo cantando, sentindo Deus nos louvores, recebendo uma palavra pastoral diretamente para nosso espírito, entregando nossos dízimos e ofertas com amor e alegria, mesmo assim ainda temos um pensamento errôneo em relação ao serviço na igreja.

         Jesus disse: “quem quer ser o maior entre vós que seja o menor”. Ele mesmo disse que veio para servir e não precisou argumentar muito para provar isso. Seus atos demonstraram uma vida integral de serviço a Deus e ao reino dos céus. Jesus deu uma lição muito clara quando afirmou isso em Lucas 22:25-27 onde disse: “25 Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. 26 Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. 27 Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve.”

         Repare bem no versículo 25 quando Jesus afirma que para os povos, os reis que os dominam são reconhecidos como benfeitores. Sabemos que esse domínio não é opcional e sim imposto ao povo. Não há eleição para um rei e sim uma sucessão do trono. E sabemos que naquela época os reis não estavam nem aí para as vontades e necessidades do povo. Porém eram ainda reconhecidos como benfeitores quando faziam algo em prol do povo, por menor que fosse o ato. Jesus foi o único rei que se entregou pelo povo. O único rei que lavou os pés do povo. O único rei que chorou junto com seu povo. O único rei que virou servo para viver junto com seu povo.

         Existe alguma prova de amor e comprometimento maior do que essa? Por favor, se alguém descobrir, mande para meu email que publico aqui no próximo mês.

         O fato é simples. O apóstolo Paulo disse que devemos imitá-lo como ele imitava a Cristo. Então, se Cristo amou, eu devo amar. Se Cristo abençoou, eu devo abençoar. Se Cristo se humilhou, eu devo me humilhar. Se Cristo curou, eu também devo levar cura a meu próximo. Se Cristo se transformou em servo, o que sobrará para mim?

         O servo é aquele que está sempre perto do seu Senhor, aguardando uma ordem que pode ser dada a qualquer momento. Quantas vezes vi na igreja o pastor pedindo no púlpito por irmãos voluntários que pudessem dar carona a uma família, levar mantimentos a uma escola ou creche, participar de um evento social ou outra coisa do gênero, e vemos timidamente uma ou duas mãos se levantarem. O serviço deve arder em nossos corações de tal forma que em cada culto possamos questionar o pastor ou liderança da igreja e perguntar o que eles estão precisando que seja feito!

         Se fosse necessário, o servo também utilizava seus bens para agradar ao seu Senhor. Hoje fazemos campanhas na igreja para conseguir um emprego, ou quem sabe um carro novo, ou até uma casa na praia. Quando você ora neste sentido, a primeira coisa que Deus te pergunta: Para que queres isso? Queres um emprego melhor para conseguir dar melhores ofertas e ajudar na obra ou para comprares roupas novas todos os meses? Não sou contra ninguém comprar roupas, carros e casas. Mas quem está dominado por esses desejos está muito bem entendendo aonde quero chegar. Uma vez compartilhei com o Pr. Josué e disse: “Pastor, como Deus vai me dar roupas novas se no meu roupeiro não há espaço para elas? Primeiro devo esvaziá-lo e aí sim o Senhor agirá.” Há irmãos que precisam de qualquer coisa que possa ser dada e muitas vezes nós murmuramos porque nenhum dos nossos cinco casacos combina com nossa calça nova que compramos mesmo já tendo umas dez iguais a ela.

         Pense melhor. Deus está buscando em nós o mesmo sentimento que preenchia os corações na igreja primitiva. Amor e serviço eram constantes e voluntários. O altruísmo estava nas mentes e corações de todos.

         Deus tem algo especial para cada um de nós. Mas na maioria das vezes nosso vaso precisa ser quebrado e remodelado. Deus espera uma proximidade maior do seu povo, um compromisso mais sério. O serviço além de revelar nosso amor e zelo por Sua obra, também é uma importante fonte geradora de testemunho.

         Então, vamos servir? Vamos ser mordomos excelentes?

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