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Archive for maio \20\UTC 2010

Usa-me

Uma vez, há aproximadamente um ano atrás, ouvi a música Sonda-me, de autoria da nossa querida irmã Aline Barros (corrijam-me se estiver errado) e meus ouvidos ficaram atentos para uma parte da letra, citada logo após o refrão que dizia:

“… sonda-me, quebranta-me, transforma-me, enche-me e usa-me.”

Confesso que essa frase entrou na minha cabeça e nunca mais saiu. Até pensei em escrever um texto sobre o assunto. Fui adiando, adiando até o dia de hoje.

Já repararam que essa frase nada mais é do que a ordem cronológica do agir de Deus em nossas vidas?

Tanto faz se você já nasceu num lar evangélico – como no meu caso – ou se teve uma vida totalmente voltada ao sentido oposto do que Deus deseja para todos nós. Independente da sua, vamos chamar de ‘origem’, todos passamos ou passaremos um dia por essa seqüência de fatos que mudará nossa vida para sempre. Posso incluir também crentes que ao longo de suas carreiras acabaram-se desviando dos caminhos do Senhor. Para esses, a cada vacilo ou desvio também é necessário voltar e refazer todo o caminho.

Vamos desmembrar essa frase em cinco situações distintas.

Sonda-me

No encontro com a mulher samaritana, em João 4, Jesus afirmou que o Pai (Deus) está procurando verdadeiros adoradores. Aqui já tens uma boa notícia. Se você ainda não está engajado na obra de Deus, saiba que Ele está te procurando! Os olhos do Senhor estão percorrendo toda a Terra à procura desses adoradores. Pessoas que não baseiam-se em fatores externos para expressar gratidão e louvores a Deus. Pessoas que louvam a Deus independentemente se têm emprego ou não, se têm o que comer ou não, se têm família ou não, se têm amigos ou não, se têm descanso ou não, e acima de tudo se o diabo está atacando ou não. Deus está procurando esse tipo de gente. O problema é que, para uma grande fatia do povo, o amor por Jesus está condicionado ao que Ele está ou não fazendo por nós. Vemos igrejas ou seitas que abusam da condição de ‘filhos’ e acabam exigindo coisas do Senhor. Acabam tornando-se como crianças que vemos por aí, mandando em seus pais, invertendo a ordem natural da família. Por acaso vou deixar de amar e obedecer ao meu pai porque não recebi nenhum presente de natal? Ou porque ele me proibiu de sair de bicicleta com medo que o trânsito pudesse me fazer algum dano? É claro que não. Então por que com Deus a coisa é diferente? Nos achamos no direito de pedir, pedir e pedir e acabamos não enxergando nossa real situação, na qual deveríamos apenas agradecê-lo pelo fato de recebermos a salvação gratuitamente!

Fique atento ao falar do Senhor. Ele está buscando adoradores e você é um deles! Basta um ‘SIM’ e Ele poderá te usar de uma forma sobrenatural.

Mas não pense que isso tudo é fácil ou rápido. Há casos, como por exemplo o apóstolo Paulo, que a distância entre a conversão e o ser usado foi muito pequena. Mas isso não é freqüente. Na verdade, esse período de espera é inversamente proporcional ao tempo que gastas com Deus, te entregas a Ele. Em outras palavras, quanto mais tempo passares com o Senhor, menor será o tempo de espera para seres alguém no reino.

Quebranta-me

É uma palavra comum nas igrejas. Se houve muito falar em corações quebrantados, ou que o irmãozinho estava quebrantado, etc. Mas eu vejo o significado de quebrantamento algo muito maior do que isso.

Desde pequeno, como fui criado na Igreja do Evangelho Quadrangular, tive acesso aos saudosistas Corinhos, cantados com muita alegria e entusiasmo pelo povo. Um deles, já num ritmo bastante lento, tinha a seguinte letra:

“Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro. Quebra minha vida, e faça de novo. Eu quero ser, eu quero ser um vaso novo”.

Até estava comentando há alguns finais de semanas atrás com dois irmãos que vieram ministrar aqui em Gravataí – Geziel Freitas e Wiliam Frasseto – que se hoje cantarmos esse tipo de música nas igrejas, a grande maioria das pessoas vai ficar olhando para o telão esperando a projeção da letra. Por isso admiro igrejas como a Quadrangular, Batista e Assembléia de Deus que mesmo com toda a evolução musical e o passar do tempo, ainda utilizam-se de seus hinários e freqüentemente cantam essas canções. Quantos irmãos não lembram alguma situação ou recordam com emoção a própria conversão quando ouvem uma música dessas?

Mas voltando ao texto, cantar esse corinho era fácil. O difícil era pô-lo em prática quando Deus pegasse a gente de jeito e nos levasse até o oleiro.

Parece que as pessoas não entendem bem a passagem onde o Senhor levou Jeremias até a olaria para observar um vaso sendo moldado de acordo com a vontade do oleiro. Não esqueça que argila não fala, argila não escolhe formato e argila não define o momento de ser trabalhada! A argila só segue os movimentos das mãos do oleiro.

Sem dúvida, durante todo esse processo de conversão e transformação, este é o ponto mais crítico. É muito fácil aceitarmos a Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador e para a grande maioria não é complicado largar certos hábitos mundanos. Até podemos trabalhar na igreja, ser fiéis nas contribuições, ajudar necessitados, órfãos e viúvas – como manda o livro de Atos – além de ser ativos em vários ministérios. O problema é quando temos que lutar contra nosso orgulho, nosso ego. Aí sim as capas de ovelhas são retiradas e a matilha está completa. Quando um pastor prega e nos mostra situações que vão totalmente contra alguns conceitos que seguimos, aí sim, muitos acabam saindo da igreja dizendo que a palavra não era pra eles, que o pastor “ta fora da casinha” e que o culto fora ruim. É difícil para o ser humano e para alguns praticamente impossível o ato de reconhecer os erros e mudar conceitos. Mas Deus não nos fez cabeças duras e muito menos com coração fechado. Ele nos fez à sua imagem e semelhança e só por este fato já tenho plena convicção e certeza de que Deus nos criou cheios de mansidão, com coração de carne e um cérebro maleável, totalmente aberto para a palavra de Deus e assim liberando todo nosso corpo para o agir do Espírito Santo conforme a Sua vontade. Você acha que foi fácil para Zaqueu derrotar seu ego e assumir sua condição de pecador e trapaceiro? Todos ficaram sabendo, alguns pela primeira vez, que ele tivera possíveis problemas financeiros. O mesmo dilema passou-se com a mulher samaritana, o ladrão da cruz, na conversão de Paulo e vários outros citados na Bíblia.

Sem dúvida são poucos que poderiam ter um encontro com Jesus e não sofrer um desconforto em nenhuma área da sua vida. A simples presença de Jesus já faz com que tudo o que não presta tenha vontade de sair correndo. É assim mesmo.

Tem crente que afirma de peito estufado que nasceu assim e vai morrer assim. Irmão, se não deixas Deus te quebrantar, podes acrescentar a esta frase que na eternidade vais queimar assim também. Há outros que dizem que simplesmente não conseguem aceitar as diretrizes da igreja. Vou abrir um parêntesis aqui pois temos vários pastores sem a mínima noção do que Deus quer para sua igreja e acabam proferindo palavras e ordens baseadas nas suas emoções e vontades próprias. Ainda dizem que quem é contra eles está se rebelando, se nivelando a feiticeiros e se levantando contra o pseudo-ungido do Senhor. Tome cuidado querido. Há muito pastor que não sabe manejar o cajado e não tem, como diz uma irmã em Cristo, o genuíno “cheiro de ovelha”. Então preste bem atenção a quem você está se submetendo. Ore a Deus e peça discernimento. O tempo do antigo testamento já passou querido. Todos cantam que o véu rasgou-se mas no entanto até os dias de hoje vemos ministérios nos quais precisamos do pastor para passar além da cortina do templo. Ela foi retirada, não existe mais, só que vemos um punhado de gente entrando no santíssimo lugar para adorar a Deus. Não espere por levita, ministro de louvor ou pelo próprio pastor. Erga suas mãos e adore ao Senhor.

Mas voltando ao assunto em questão, vemos irmãos que dizem não conseguir perdoar, não conseguir abraçar, não conseguir amar. Isso não é uma opção nossa, é um mandamento do Senhor Jesus. Quem sabe é esse quebrantar que você está precisando experimentar? Há outros que não são capazes de dar uma simples oferta. Abrem a carteira, e em meio a notas de 10, 20 e 50 reais buscam aquela de 2 para levar à frente com o peito estufado. Não pense que o vaso só é quebrado quando aceitamos a Jesus e reconhecemos nossa condição de pecadores. Quando menos esperamos uma pequena rachadura aparece e vai crescendo até o ponto que uma visitinha ao oleiro torna-se inevitável. Cada vez que seu caráter é questionado por Deus ou conceitos são confrontados com a palavra é sinal que algo precisa ser revisto, arrumado.

Você mesmo sabe o momento que precisa de um conserto. E também sabe que quanto mais esse conserto é adiado, maior vai tornando-se a rachadura, até que chegue o momento em que o vaso deva ser quebrado na sua totalidade e completamente refeito. Tome uma decisão de não deixar que esse momento chegue. Abra seu coração ao seu pastor ou a um irmão e mude de atitude.

Transforma-me

Transformação, seu dúvida, é o maior propósito do evangelho nas nossas vidas. O próprio significado da palavra já sugere isso. O Dicionário Aurélio diz: “Dar forma, converter, mudar, transfigurar …”. Quando aceitamos a Cristo, a palavra mais ouvida é conversão. Mas é bom frisar que a transformação também é parte integrando da nossa caminhada no evangelho. No primeiro encontro com o mestre verdadeiramente somos transformados. Isso aconteceu com todos aqueles que o encontraram, por mais curto que pudesse ser esse momento. A mulher samaritana passou alguns momentos com Jesus, mas o suficiente para que seus conceitos fossem totalmente quebrados. O mesmo podemos ler que ocorreu com Zaqueu, Nicodemos e porque não lembrar dos próprios discípulos?

Para muitos a transformação ocorre no momento da conversão. Sem dúvida algo mexe conosco. Mas não é neste momento que podemos dizer que somos novas criaturas. O evento é lindo, o pastor dá uma bela palavra, irmãos ou familiares choram e nos abraçam, somos cumprimentados e começamos a pertencer a uma nova família. Sem dúvida tudo isso é real não vejo mal nenhum nesses acontecimentos. Eu mesmo já presenciei isso milhares de vezes. Só que de todos os abraços e palavras recebidas, acho que a melhor e mais correta, porém poucas vezes dita é: “Irmão, agora é uma nova caminhada. Fuja do pecado, consagre-se, passe tempos e tempos com Deus. Qualquer coisa estou aqui pra andar contigo”. Isso sim é uma palavra de encorajamento.

O que vemos hoje são pessoas que aceitam a Jesus no domingo e depois passam de segunda a sábado a mercê das armações do diabo, sem o mínimo discernimento espiritual para poder ver ou notar os ataques do maligno. Isso ocorre também com crentes já convertidos há bastante tempo e não me impressiona. Há uma onda de auto-afirmação, pessoas que dizem com o peito estufado que são santos e que o diabo não pode com eles, que o capeta está debaixo de seus pés e que nada poderá nos separar de Deus, etc, etc. Na verdade são pobres coitados que escondem sua fraqueza espiritual e carnal atrás de chavões ouvidos nas suas congregações. A palavra nos foi dada e eu creio que temos poder de derrotar o diabo ou qualquer situação armada por ele contra nós. Faça um teste. Não para menosprezar teu irmão em Cristo ou dizer que ele não é de nada. Mas quando ouvires essas afirmações de algum membro do corpo, chegue a ele, com todo amor de Cristo que há em ti e pergunte a ele quantas vezes por semana ele faz jejum, ou quantas horas por semana ele se coloca de joelhos em consagração, ou se ele “gasta” seu tempo meditando na palavra de Deus. Olha, eu duvido que exista algum crente que possa vencer o diabo – como se afirma por aí a fora – sem cumprir no mínimo esses três passos. Jesus mesmo em sua palavra explicou para os discípulos que há situações que sem jejum e oração nada poderemos contra as potestades do mal. Então, meu querido irmão, prepare-se se quiser realmente vencer o diabo. Lembre-se de Davi que era um menino franzino e sabia de suas limitações. Por isso disse ao gigante que ia contra ele em nome do Senhor dos Exércitos, pois na sua juventude certamente seria uma presa fácil para Golias.

O que eu quero dizer com tudo isso é que a transformação é constante em nossas vidas. A cada dia somos colocados à prova e à medida que vamos crescendo na graça essas provas tornam-se maiores.

Que não somente haja transformação em sua vida no momento em que tiveste um encontro com Jesus mas que diariamente o Espírito Santo possa te mostrar áreas que ainda precisam de um tratamento, de alguma mudança.

Enche-me

Encher-se de Deus certamente é algo ímpar em nossas vidas. Não preciso dizer que antes de encher-se há a necessidade do cumprimento dos três passos anteriores (ser sondado, ser quebrantado e ser transformado).

Algumas partes que citei no tópico anterior também fazem parte do “encher-se” de Deus. A busca através da oração e da leitura da palavra é o modo mais comum e prático que temos para nos aproximar-mos mais de Deus e sermos cada vez mais cheios do seu Espírito Santo.

Há pessoas que passam por momentos ímpares com o Senhor e aquilo para eles muitas vezes se torna o divisor de águas na vida espiritual. Não há nada de errado nisso, mas o que vemos é que vários deles acabam deixando a busca de lado, pois tiveram um avivamento e pensaram que uma vez cheios, sempre cheios de Deus. Sinto em dizer, mas estão completamente enganados a esse respeito.

A maneira mais comum que a Bíblia usa para mostrar a unção de Deus é com o derramamento de óleo. No antigo testamento os reis eram assim ungidos. Hoje em dia também é usual em muitas igrejas o derramamento de óleo para consagração de novos pastores, obreiros ou líderes de louvor. É um ato marcante e poderoso, mas vale lembrar que a unção não pode ficar lembrada apenas com a ocorrência desse evento. A unção de Deus em nós comporta-se, exemplificando, como um copo de água colocado ao sol. Se observares, a cada dia o nível vai baixando até que o copo fique totalmente seco. Assim ocorre conosco. Nos enchemos num culto de domingo, ficamos a semana inteira sem buscar a Deus e quando chega o sábado seguinte, estamos desesperados pois já estamos vazios, precisando novamente de um culto de domingo para nos encher outra vez. Essa vida medíocre perante o Senhor é muito comum em qualquer congregação. Não adianta perguntar de púlpito e tentar descobrir quem busca ao Senhor durante a semana pois isso prejudicaria ainda mais os irmãos pois as mentiras seriam muitas, diminuindo ainda mais o nível de óleo de cada um. A vida com Deus é nosso culto a ele. Durante todo o dia estamos em sua presença e temos inúmeras oportunidades de falar com ele e também de ouvi-lo. Há pessoas que pensam ser só o domingo ou a quarta à noite os períodos reservados para o Senhor. Nada disso! Os cultos servem para celebração, comunhão e também para louvar a Deus e ouvir sua palavra. Num culto de domingo geralmente não há espaço para um clamor, para uma oração mais profunda e uma busca mais direta de Deus. Para isso temos vigílias e idas aos chamados “montes”. Se você acha que o culto de domingo te deixará transbordando do óleo do Espírito, estás muito enganado. É claro que recebemos muito de Deus nos cultos, mas a nossa busca fora da igreja é que nos faz diferentes, nos torna verdadeiros guerreiros de Deus. Há uns dois domingos atrás, no início do culto da Igreja Brasa de Porto Alegre, vi o Pastor Alberto falar algo que ficou na minha mente. Ele pegou o microfone para dar início à reunião e disse exatamente essas palavras: “Irmãos, vamos nos colocar em pés para dar continuidade ao nosso culto ao Senhor…”. Na mesma hora eu pensei: “Mas espera um pouco, o culto nem começou ainda!”. Foi então que lembrei que estamos constantemente perante Deus e nosso culto tem duração de vinte e quatro horas por dia.

Há também aqueles irmãos que se enchem de Deus no culto e durante a semana possuem várias atividades na igreja como grupos familiares, visitas a irmãos doentes ou a hospitais, entre outros. A esses cabe mais ainda a necessidade de buscar a Deus, pois estão distribuindo o que lhes é dado e chega uma hora que “o tanque esvazia”. Nos dois casos podemos ver que o simples fato de encher-se não nos dá direito a ficarmos tranqüilos. A busca pelo transbordar do Espírito Santo deve ser constante.

Não posso deixar de falar dos queridos irmãos que não estão com seus vasos em dia, possuem rachaduras e outros defeitos, mas mesmo assim procuram se encher de Deus a qualquer custo. É possível que isso aconteça, mas diferentemente dos casos anteriores, seu processo de esvaziamento será muito mais rápido. A esses, recomendo que reiniciem um processo de quebrantamento e peçam a Deus que lhes esclareça através do Espírito Santo e mostre quais áreas precisam de um tratamento especial ou de mudanças radicais. Se você não é capaz de fazer isso sozinho, fale com seu pastor, líder de ministério ou de grupo caseiro. O que não pode acontecer é você continuar nessa situação.

Usa-me

Ser usado por Deus é sem dúvida o apogeu da vida do crente. Se você pergunta de púlpito quem quer ir a uma vigília ou quem quer vir sábado para limpar a igreja, certamente poucos levantarão suas mãos. Mas tente perguntar quem quer ser usado por Deus. Vai parecer um estádio de futebol fazendo a chamada “ola” e ouvirás vários gritos de aleluia, glórias a Deus e dependendo do estilo da sua congregação, até línguas estranhas.

O problema é que ser usado todos querem, mas pagar um preço, poucos desejam. Se você passar pelos quatro tópicos anteriores e fores aprovado pelo Senhor, o “ser usado” será inevitável na tua vida. Deus está procurando homens e mulheres entregues ao evangelho e com vontade de trabalhar. São poucos os que vemos nessa condição mas Ele segue buscando, pois a palavra mesmo nos fala que a seara é grande mas são poucos os ceifeiros.

Mas como você poderá ser usado por Deus?

Você já deve ter em mente algum ministério que sente chamado ou algo que gostaria de fazer na igreja. Eu sei que em muitas igrejas há uma concorrência por cargos que nem sempre é sadia. Geralmente há ministros de louvor com dois ou três irmãozinhos loucos para tomar seu lugar. Guitarrista preocupado em não faltar, pois alguns irmãos estão em vigília só esperando o vacilo para tomar seu lugar. Eu geralmente uso exemplos envolvendo a música, pois é o ministério onde mais atuo e sei bem o que é ser músico, o que é viver entre eles e acima de tudo o que é liderar uma equipe de louvor. Não é fácil, mas nada impossível.

Deus te chamou e isso é fato. Se não sabes que ministério seguir, ore e pergunte a Ele! Nada mais natural. Imagine-se sendo contratado por uma empresa e no primeiro dia o empregador te coloca sentado frente a uma mesa com um computador e alguns papéis. Vai chegar um momento do dia que vais perguntar a ele o que fazer, não? Pois com Deus é a mesma coisa. Pergunte a Ele, diga que tens uma chama em teu coração e se tiveres algum ministério de preferência, exponha ao Senhor. A palavra de Deus fala que desde o ventre da tua mãe Ele já tinha te escolhido e Ele sabe perfeitamente qual o ministério que mais tem necessidade e qual tu te encaixas melhor. Mas tudo o que Deus deseja é ouvir isso de ti. Se não tens idéia do que fazer, faça igual a Isaías. Ore e diga a Deus o famoso “eis-me aqui Senhor, usa-me como queres e no tempo que desejares”. Te digo que essas palavras moverão o céu e certamente terás em breve novidades em relação à tua vida ministerial.

Procure fazer tudo debaixo da mão de Deus e nunca por impulso. Se você orar como dito no parágrafo anterior, saiba que agora é momento de descansar e esperar em Deus. Não adianta você querer mostrar a Deus o famoso “jeitinho brasileiro de ser” e acabar entrando em qualquer ministério só para não ficar parado. Não é assim que Deus trabalha. Se você colocou seu desejo perante o altar, então aguarde. Mas não aguarde em casa, sentado no sofá vendo Jornal Nacional (pra não dizer novelas!). Continue na igreja, firme, pró-ativo e sempre disposto a atender aos pedidos de ajuda que pastores e líderes fazem. Uma vez eu vi um pastor pregar bem sobre isso. Ele disse que se você tem o desejo de começar a abrir os cultos então deverá ir a todos os cultos, pois em um deles o dirigente não irá e será a tua oportunidade. Se você quer tocar, vá a todos os cultos, pois na primeira falta do violonista ou tecladista, vais dizer em alto e bom tom: “eu sei tocar, posso ajudar”. Por que não? Há um famoso ditado que afirma que “quem não é visto não é lembrado” e isso é bem usual nas igrejas também.

Continue com tua consagração, siga buscando a Deus e te colocando à sua disposição. Davi foi ungido e esperou alguns anos para ser rei e te garanto que não estás passando nem um décimo da luta que ele passou com Saul.

Irmãos, a coisa é mais fácil do que parece. Deus está buscando corações dispostos a servir. Ele repudia o orgulhoso e o rebelde. São sentimentos que deverás enterrar e esquecer que um dia fizeram parte da tua vida. A humildade e o amor são o segredo do sucesso de qualquer ministério. Não digo sucesso perante a mídia – que é o que vemos hoje – mas digo sucesso no reino dos céus que é onde quero ter meu disco de ouro ou minha maior aprovação.

Uma coisa que faço e pretendo continuar sempre fazendo é orar direcionando minhas palavras sempre pedindo a Deus que me afaste completamente da ganância e da fama. É uma dica. Hoje vemos ministérios por aí que já se esqueceram que um dia eram apenas cinco ou seis pessoas sem grande expressão e sem dom musical. Aí pediram a Deus que no devido tempo respondeu. Assim, foram sondados, quebrantados, transformados, cheios e usados na obra. Só que os holofotes acabaram ofuscando sua visão. Sabe quando você está numa rua e vem um carro na tua direção? Os faróis acabam por ofuscar qualquer outra imagem ao redor e não consegues ver mais nada? Isso tem ocorrido com a maioria dos ministérios no Brasil. Tiveram sua visão ofuscada pela mídia, pelas viagens, pelo dinheiro e acabaram perdendo contato com Deus e muitos sequer o enxergam mais. Não vou citar nomes aqui para não escandalizar irmãos novos na fé que possam ler este artigo, mas o que leva um ministério evangélico a cobrar trinta, quarenta ou cinqüenta mil reais de cachê para um evento? O que leva um ministério ou cantor a exigir hotéis cinco estrelas e tratamento vip para visitar uma cidade com a finalidade de levar algo de Deus para outras pessoas? O que leva ministérios a fazer contratos e alianças com gravadoras pertencentes a grandes emissoras de televisão, às quais todos sabemos que possuem envolvimento direto com o diabo?

Será que é Deus que trás essa visão de ministério? Eu creio e tenho plena certeza que não. Saul era homem de Deus até o momento que Deus o destituiu do trono substituindo-o por Davi. Mesmo com todas as atitudes erradas que teve, em nenhum momento Davi o traiu. Baseado nisso eu concordo em receber grandes ministério ou pastores, creio piamente que eles trarão algo de Deus pra mim e serei abençoado. Mas o que não posso concordar é com a forma que tudo isso anda ultimamente.

Uma vez vi um DVD com a pregação do Pr. Luiz Hermínio de Itajaí-SC. Essa pregação foi ministrada num encontro de pastores e confesso que nunca mais esqueci. Deste dia em diante reforcei ainda mais minha vontade de fazer a obra de Deus sem segundas intenções e me afastar cada vez mais da fama, do glamour e acima de tudo do dinheiro. Em um determinado momento ele disse: “Pastor, não coloque preço na sua unção. Não venda o que Deus lhe deu. Não coloque preço no seu ministério. Na minha igreja não entra ninguém que cobra para estar lá. Sabem por que existe ainda pessoas que cobram? Pelo simples fato de que ainda existem os que pagam…”. A palavra dele foi muito forte nesse sentido. Tão forte que faz meses que ouvi e até hoje o Espírito Santo me trás à memória essas palavras. A Bíblia fala que Jesus não tinha onde repousar a cabeça. Ele poderia ter cobrado um belo dinheiro do centurião ao curar seu servo ou em tantas outras situações que passou. Não temos relato mas creio que muitos desses acabaram dando ofertas para o sustento de Jesus e dos doze. Mas nada estipulado e abusivo como vemos nos dias de hoje.

Certo dia estávamos conversando sobre esse assunto eu, meu pai e um músico da igreja. Ele tem saído a lugares para tocar e ministrar e tem notado a indiferença de certos pastores em abençoar seu ministério. Eu disse que concordo que hoje tudo é caro e que quando somos convidados a ministrar em algum lugar, o ideal é que ao menos as despesas de deslocamento sejam cobertas, pois somos todos assalariados e não teríamos condições de bancar viagens a cada final de semana. Mas cachê? Aí já é demais. Comigo aconteceu algo parecido quando tocava em um ministério. Fomos convidados a ministrar numa cidade há aproximadamente cem quilômetros da nossa e a igreja não teria condições de dar nada. Nem gasolina, pedágio, lanche, oferta, nada mesmo. Sabe o que fizemos? Fomos da mesma forma com o intuito de abençoar o povo daquele lugar. Deus agiu e fomos tão bem aceitos que no ano seguinte voltamos lá para ministrar outra vez e novamente tivemos que bancar todos os custos da viagem. Alguma mágoa nisso? Claro que não. Deus nos chamou e não nos interessa mais nada além de louvá-lo. No bate-papo que tive com meu pai e este outro músico acabamos citando um irmão que está no topo da fama gospel no momento, com músicas bem embaladas e fáceis de serem cantadas por todos. Ele começou visitando igrejas no seu estado, o ministério foi crescendo e começaram a cobrar cachês no valor de dez, vinte, trinta e agora andei ouvindo que já passou a barreira dos cinqüenta mil reais. Eu sei que há gastos, muitos músicos recebem salário para que possam dedicar-se exclusivamente ao ministério, tudo bem com isso. Mas querido, se Deus te chamou para a obra, Ele é que te dará o sustento e na medida que Ele quiser. Mais uma vez, não coloque preço na sua unção, no seu ministério.

Se você tem essa visão de ministério, volte à simplicidade, à essência de Deus. Viver pela fé é ir a um lugar sem saber como vais voltar. É ministrar numa igreja e dar de oferta a passagem de volta sem saber se Deus vai te honrar ou não. É cantar numa congregação e olhar irmãos sem as mínimas condições de comprar teu CD ou DVD e acabar presenteando-os e semeando algo de Deus ali.

Deus abençoe a todos.

Amilton dos Santos Júnior

https://amiltonsantosjr.wordpress.com/

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